Eduardo C. Santos - Aluno de Obstetrícia USP
No caso da Obstetrícia, uma gestante portadora de problemas renais a (IRA) Insuficiência Renal Aguda ou a (IRC) Insuficiência Renal Crônica já tinha seu destino praticamente estabelecido, com a apresentação de um quadro complexo para a situação e com pequenas possibilidades de sobrevivência para a mãe e/ou filho(s).
Atualmentejá é possível a uma gestante de rim transplantado completar o período gravídico com ótimas perspectivas de sobrevivência para mãe e filho. O transplante renal normaliza a fertilidade de mulheres previamente inférteis devido à IRC, atravessa da normalização dos ciclos menstruais, o que pode ocorrer num período de seis meses após o transplante. A anticoncepção das pacientes transplantadas deve serrealizada por métodos de barreira, já que o anticoncepcional oral pode aumentar a pressão arterial e o DIU levar a infecções por estar em uso imunossupressão. A taxa de abortamento é de 16%, similar à observada na população em geral. Ocrescimento intra-uterino restrito tem sido relatado em 13 a 50% dos casos e a prematuridade em 19 a 56%.
As recomendações para as pacientes transplantadas que querem engravidar, são as seguintes:
1) Espera de dois anos para planejar a concepção.
2) A função renal deve estar estabilizada (menor ou igual2mg/dl, preferentemente maior ou igual a 1,4; sem evidência derejeição; mínima proteinúria; ausência de distensão pielo calicinal.
3)Hipertensão arterial ausente ou facilmente controlada.
4)Medicamentos em níveis reduzidos prednisona menos ou igual 15mg/dia); azatioprina menor ou igual a 2 mg/kg/dia (dose maior ouigual a 2,2 pode levar a anomalias); ciclosporina menor ou igual a 5 mg/kg/dia (embora não esteja estabelecida uma dose segura).
Outraobservação é a de que gestantes nefropatas estãomais expostas ao estado de anemia, devido ao aumento de massaeritrocitária. Isto ocorre provavelmente pela secreçãoinadequada de eritropoietina, ou EPO, hormônio responsável pela produção de eritrócitos, que éproduzida nos rins e no fígado e que tem a função primordial de regular a eritropoiese.
A EPO é secretada essencialmente pelo córtex renal (emtorno de 90% da produção), sendo que a sua produção é estimulada pela baixa de oxigênio nas artérias renais. A sua falta contribuirápara que a gestante apresente um quadro de anemia, colocandoseriamente em risco vida da gestante e a do feto. Felizmente, para muitos casos desta patologia, há tratamentos adequados com aplicações de doses desse hormônio na gestante, que podem reduzir o número de óbitos.
Referências bibliograficas:
FREITAS, Fernando; MARTINS-COSTAS, Sergio; RAMOS, Jose G. L.; MAGALHÃES, Jose, A.M. Rotinas em Obstetrícia, 5ª edição. Artmed, 2006.
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